Assis Valente, a morte do Papai Noel e a prisão de Caetano

Amélia 24/12/2020 Relatar Quero comentar

Que música te vem à mente quando chega o Natal? "Noite feliz"? "Bate o sino"? "Jingle Bells"? Aquela versão traquinas que ensina a limpar com jornal? "Então é Natal" na voz da Simone? Ou "Happy Xmas", a original, com John e Yoko?

Na live que transmitiu no último sábado (19), Caetano Veloso cantou aquela que sempre foi, para ele, a canção natalina por excelência:

Anoiteceu, o sino gemeu, a gente ficou feliz a rezar. Papai Noel, vê se você tem a felicidade pra você me dar.

"Boas festas" é a canção de Natal que mais me toca. Foi composta por Assis Valente, o mesmo de "E o mundo não se acabou", imortalizada por Carmen Miranda, e "Brasil pandeiro", explosão de cores e sentidos com os Novos Baianos.

"Essa é a canção de Natal que era a canção de Natal quando eu era criança", comentou Caetano.

O cantor aproveitou a canção para lembrar a infância em Santo Amaro: os grandes presépios montados nas salas das casas, muitas vezes cercados com areia da praia e grandes folhas de pitangueira. E destacou a denúncia social que perpassa a letra de Valente.

Eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel. Bem assim, felicidade eu pensei que fosse uma brincadeira de papel. Já faz tempo que eu pedi, mas o meu Papai Noel não vem. Com certeza já morreu, ou então, felicidade é brinquedo que não tem.

Papai Noel foi morto por Assis Valente no lado B de um compacto simples de Carlos Galhardo lançado em dezembro de 1933. O Bom Velhinho, se um dia existiu, logo sucumbiu ao racismo estrutural e ao preconceito de classe.

Não, não é todo mundo que é filho de Papai Noel. Não, ele não atende a todos os pedidos, de todas as crianças, de forma equânime. Não vá se iludir.

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