LUCRO DAS FARMACÊUTICAS E O SIGILO DE CONTRATOS DA VACINA COM GOVERNOS.

Guto 30/01/2021 Relatar Quero comentar

Países de todo o mundo entraram na disputa para quem vai receber a vacina do coronavírus, um bem ainda escasso e produzido por poucas empre  sas farmacêuticas.

Os governos assinam contratos com as empresas que desenvolveram essas vacinas em tempo recorde, mas as informações críticas desses acordos permanecem ocultas do público em geral devido a cláusulas de confidenciali  dade estritas.

Quanto custam ou como serão distribuídas são detalhes que na maioria    dos casos o público desconhece, pois é o que exige os acordos firma         dos.

No Peru, por exemplo, as negociações entre o governo e a empresa Pfizer  foram paralisadas por esse motivo. E na Colômbia, o governo afirma   que as cláusulas de confidencialidade o impedem de ainda oferecer um esquema de vacinação claro.

O problema é global.

Em resposta a um pedido de informações no Parlamento Europeu em    meados de novembro, a comissária da Saúde Estela Kiriakides afirmou: "Devido à natureza altamente competitiva deste mercado, a Comissão    não pode divulgar as informações contidas nestes contratos".

E a ministra do Orçamento da Bélgica, Eva de Bleeker, causou alvoroço   após postar no Twitter a lista de preços dos laboratórios com os quais a UE havia negociado. Ela apagou o tuíte.

Reclamações sobre o não cumprimento de compromissos feitos por algumas fabricantes de vacinas estão agora sendo acompanhadas por vozes que exigem maior transparência em uma questão vital de saúde públi     ca.

E a polêmica continua aumentando, principalmente na UE (União Euro    peia), indignada depois de ser informada que os laboratórios Pfizer e      AstraZeneca não terão condições de abastecer o bloco com a quantidade de doses iniciais acordadas.

Segundo fontes da UE citadas pela agência de notícias Reuters, isso levou Bruxelas a exigir que as empresas farmacêuticas tornassem públicos os    termos dos contratos e ameaçassem controlar as exportações de vacinas produzidas na Europa.

Mas por que tanto sigilo?

Uma prática comum.

Segundo Jonathan García, especialista em saúde pública da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, "isso não é novidade; é frequente que         cláusulas de confidencialidade sejam incluídas nos contratos entre os       sistemas de saúde dos países e as empresas farmacêuticas".

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