O mito da masculinidade e a difícil arte do homem amar e ser amado

Amélia 07/03/2020 23:01 Relatar

Uma pesquisa, publicada no periódico americano Journal of Counseling Psychology, concluiu que homens que se sentem com poder sobre as mulheres, ou seja, os homens machistas são mais propensos a ter problemas psicológicos do que os que não pensam desse jeito. Cientistas da Universidade de Indiana, EUA, analisaram 78 estudos envolvendo 19.453 pessoas.

O foco foi entre a saúde mental e as expectativas que se tem do homem numa sociedade patriarcal como: desejo de vencer, autoconfiança, a vontade de correr riscos, poder sobre as mulheres, busca por status e a necessidade por controle emocional.

Não há dúvida de que o machismo prejudica o homem. O esforço exigido para ser "homem de verdade" provoca angústia, medo do fracasso e dificuldades afetivas. Há um impasse: de um lado uma proibição social contra quem expressa sentimentos considerados femininos, do outro, a crítica cada vez maior ao homem machista.

A filósofa francesa Elizabeth Badinter diz: "Ao contrário da mulher, o homem é estimulado a ser independente desde que nasce. É uma luta contínua, em que deve estar sempre alerta. E para ser considerado masculino deve rejeitar e se opor a tudo o que é feminino. Geralmente o menino se defende temendo as mulheres e também repudiando em si próprio qualquer aspecto considerado feminino como ternura, passividade, preocupação com os outros."

Há uma diferença nítida nas atitudes sociais dos homens e das mulheres e é fácil, então, concluir que são realmente diferentes. Na realidade, a natureza só traz a anatomia e a fisiologia. Tudo mais é produto de cada cultura e de cada grupo social. Atitudes e comportamentos femininos e masculinos são ensinados às crianças desde muito cedo, e dessa forma vão sendo assimilados a ponto de serem confundidos, mais tarde, como fazendo parte de suas naturezas.

Uma pesquisa do Ibope, realizada em 2017, e que ouviu 2.002 mil pessoas, em todas as regiões do país, concluiu que o machismo está presente no cotidiano de 99% dos brasileiros. Para Ricardo Sales, pesquisador em Diversidade na USP, o preconceito está naturalizado na sociedade brasileira. "A pesquisa alerta para a necessidade de falar mais sobre o assunto e refletir sobre atitudes que impedem o respeito e a conexão entre as pessoas no dia a dia", diz ele.

Homens e mulheres podem ser fortes e fracos, corajosos e medrosos, agressivos e dóceis, passivos e ativos, dependendo do momento e das características de personalidade que predominam em cada um, independente do sexo.

E eles têm as mesmas necessidades psicológicas — amar e ser amado, expressar emoções —, mas o ideal do homem impede-lhe a satisfação dessas necessidades, abrindo espaço para a violência masculina no dia a dia. Essa violência não é a mesma em todos os lugares. É muito maior onde se cultua o mito da masculinidade.

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