Mulher trans clama por cirurgia após colocar silicone no bumbum e material descer para os pés

Carlosandre1055 29/12/2020 Relatar Quero comentar

Sofrendo com dores e inchaço, a cuidadora de idosos Luara Butielles Nunes Coelho, de 31 anos, tenta realizar, pela rede pública de saúde, uma ressonância magnética e uma cirurgia para retirada de silicone industrial que se deslocou do bumbum para os pés dela. Transexual, ela colocou o silicone há 10 anos, mas notou que, há alguns meses, seu organismo começou a apresentar uma rejeição ao hidrogel. Ela teme ter os pés amputados.

"O médico me disse que, enquanto não for feita a retirada do silicone, vou continuar tendo infecção e cada vez pior. É muito triste e dói muito, estou tomando morfina para a dor", conta.

(CORREÇÃO: A reportagem errou ao informar que havia uma rejeição a próteses de silicone. Na verdade, a rejeição foi ao hidrogel do silicone industrial, que se deslocou pelo corpo. A informação foi corrigida às 8h08 de 29 de dezembro de 2020.)

Segundo Luara, o médico que a avaliou em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital, disse que, caso ela não realize a cirurgia para retirada do silicone, é possível que os pés dela necrosem e tenham de ser amputados.

"Eu tenho 31 anos, eu trabalho e quero continuar trabalhando, meu trabalho mudou minha vida para melhor. Preciso trabalhar, não posso perder meus pés. Meu medo é que ele [silicone] está começando a subir pela perna e criando nódulos, pode atingir outras partes do meu corpo.", afirma.

Luta por tratamento A cuidadora de idosos conta que há dois meses as dores aumentaram e, por isso, ela passou a maior parte dos últimos 30 dias internada em diferentes unidades de saúde. Na última semana, Luara esteve na Santa Casa de Misericórdia de Goiânia, onde recebeu alta na segunda-feira (28).

Preocupada com o risco de perder os pés e sentindo dores, Luara conta que não sabe mais a quem recorrer.

"Ficam me jogando de uma unidade para a outra, ninguém faz nada. Nós transexuais já sofremos tanto com o preconceito, acho que o SUS deveria acolher mais a gente, ter mais compreensão", desabafa. A paciente foi informada que o tratamento indicado para o caso dela é feito no Hospital Alberto Rassi (HGG), em Goiânia. A cuidadora de idosos chegou a procurar a unidade pessoalmente na segunda-feira, mas foi informada de que o atendimento depende do encaminhamento da Central de Regulação.

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