O vírus mutante inglês é mais perigoso que o Sars-CoV-2 "Raiz"?

Henrique 26/12/2020 Relatar Quero comentar

O governo britânico anunciou, há poucos dias, um recrudescimento das medidas não-farmacológicas de controle da pandemia, incluindo um "cancelamento do Natal", dando como justificativa o aparecimento de uma linhagem mutante do vírus Sars-CoV-2 que, segundo dados a que aparentemente só o governo britânico teve acesso, é muito mais infecciosa que as versões anteriores do mesmo parasita. 

A linha-dura adotada no Reino Unido poderia ser justificada sem o apelo ao novo mutante: o fato é que o país vive uma explosão de novos casos, explosão que pode ser muito bem explicada pelo comportamento relaxado do público em meio à segunda onda da doença na Europa. Ainda é cedo para afirmar se o novo mutante está também contribuindo para o vagalhão.

Mas, seja inspirado por conveniência política, ou por dados científicos sólidos ainda não publicados, o discurso do primeiro-ministro Boris Johnson e do secretário de saúde Matt Hancock, culpando o "mutante" pelo cancelamento do Natal, gerou ondas de especulação sobre evolução viral e cenários de filmes-catástrofe de ficção científica pelo mundo. Afinal, o que é um vírus mutante? E precisamos nos preocupar com ele? O X-Vírus O termo "mutante" sempre atrai manchetes e preocupações. Mutações são geralmente associadas a eventos prejudiciais —mutações provocadas por exposição à luz solar podem causar câncer, por exemplo— ou a eventos fantasiosos, que ultimamente vão desde se tornar um X-Man até virar um jacaré.

A verdade é que mutações são comuns a todos os organismos, e seus efeitos variam de acordo com a frequência em que ocorrem e a capacidade do organismo de corrigir essas mutações. Mutações podem ser benéficas ou deletérias, ou, em sua maioria, completamente indiferentes. Serão deletérias como estas provocadas por exposição ao Sol, que podem causar câncer. E podem ser benéficas se conferirem alguma vantagem adaptativa ao organismo, que possa ser transmitida para seus descendentes.

Seleção dos mais aptos Há muita confusão em torno dos conceitos de evolução darwiniana, que muitos confundem com seleção natural. Já explicamos bem essas diferenças aqui. Seleção natural é apenas um compon.

Resultado semelhante também foi observado em animais, mostrando predominância do mutante 614G no trato respiratório superior (nariz e garganta), mas não nos pulmões, sugerindo que realmente essa variante pode ser mais infecciosa. Não há nenhum indício, no entanto, de que a doença que causa seja mais grave, ou que a variedade possa escapar de vacinas. Cientistas observaram que os pacientes infectados com esta variante apresentam maior carga viral no nariz, mas não desenvolvem casos mais graves da doença. Ensaios com anticorpos neutralizantes também verificaram que o mutante 614G é mais suscetível à neutralização, mostrando que as vacinas vão dar conta dele tranquilamente. Este caso.

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