Justiça determina que criança de 8 anos, adotada há seis, seja devolvida à avó em Minas

Marcos 20/12/2020 Relatar Quero comentar

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) determinou que uma criança de 8 anos, adotada há seis, seja devolvida à avó paterna. A decisão, já em segunda instância, foi no dia 20 de novembro. A família adotiva entrou com recurso, que será julgado no dia 11 de fevereiro de 2021.

Enquanto isso, a criança, que não terá a identidade revelada, continua morando com o casal que a adotou em 2014.

De um lado, a família adotiva, representada pela advogada Larissa Jardim, disse que, na época dos trâmites para adoção, várias denúncias foram feitas contra a família biológica e esses seriam os motivos para que a criança fosse para o acolhimento.

Ainda segundo a advogada, o pai biológico da criança foi condenado pelo homicídio do próprio pai. "Homicídio torpe, por motivo de herança", disse a advogada.

De outro lado, a avó paterna da criança, que propôs a ação de guarda em 2015, contou que, mesmo no período em que a menina morava em um abrigo, ela nunca deixou de ir visitá-la. A intenção, disse ela, era "mostrar que a vovó estava com ela para sempre".

A avó da criança, de 62 anos, mora sozinha em uma cidade na Região Central de Minas Gerais. A reportagem não vai divulgar o nome dela nem o local onde mora para manter o anonimato da menina.

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais informou apenas que os processos envolvendo crianças e adolescentes são protegidos por segredo de Justiça.

'Justiça foi injusta'

Segundo a idosa, desde que a neta foi adotada, há seis anos, as duas nunca mais se encontraram.

"Essa adoção foi de um jeito estranho, nunca nem vi esse casal, nunca me deixaram ver a menina, perdi contato completamente. Desde o início eu procuro meus direitos para ter minha neta de volta", disse a avó, para quem "a Justiça foi injusta".

O pai da menina está em liberdade e, segundo a aposentada, ele mora em outra casa e, não teria condições de cuidar da filha. "Ele falou para o advogado que passa a guarda pra mim sem problemas".

A avó não deu detalhes sobre a mãe da criança. Disse apenas quem ela "sumiu". O que ainda se mantém presente é a saudade da neta:

'Precisamos ser fortes'

"Eu também vou lutar. Precisamos ser fortes", foi assim que a menina de 8 anos respondeu à mãe adotiva quando soube da possibilidade de ser devolvida para a avó biológica, segundo a advogada que representa a família, Larissa Jardim. Elas estavam em uma apresentação de balé quando a advogada ligou para os pais e deu a notícia.

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