Covid-19: AM e Porto Alegre passam a recomendar remédios sem eficácia comprovada

Antonio 14/01/2021 Relatar Quero comentar

O governo do Amazonas e a prefeitura de Porto Alegre passaram a recomendar o uso de medicamentos que não possuem eficácia comprovada no tratamento de pacientes com covid-19. A distribuição pública da hidroxicloroquina, da azitromicina e da ivermectina é incentivada pela gestão do presidente Jair Bolsonaro. Especialistas dizem que a recomendação ignora evidências científicas e cria falsa sensação de que existe um tratamento eficaz contra a doença.

Enquanto vê o número de casos, internações e mortes voltar a subir, a prefeitura de Manaus e o governo do Estado do Amazonas recomendaram publicamente, pela primeira vez, o uso dos medicamentos, conjunto que é chamado pelo governo Bolsonaro de "tratamento precoce", mesmo sem indicativos de que seja de fato um tratamento.

Em publicação no site da prefeitura, a secretária municipal de Saúde, Shádia Fraxe, disse que reforça "a importância do tratamento precoce para evitar que o quadro clínico se agrave". "Se, clinicamente, o paciente apresentar sintomas que sugiram covid-19, já recebe tratamento e seu quadro de saúde será monitorado por pessoal capacitado para isso", disse.

Segundo o jornal , o Ministério da Saúde pressionou Manaus, em ofício, a adotar a cloroquina, em um suposto tratamento precoce contra a covid. Em maio, Bolsonaro chegou a dizer que "quem é de direita toma cloroquina e quem é de esquerda toma tubaína". O tratamento precoce também foi defendido pelo governador do Estado, Wilson Lima (PSC), em "live" para anunciar apoio da pasta, no último dia 4 de janeiro.

Entre os agentes defensores do tratamento precoce estão o sindicato dos médicos e o Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM). O presidente sindicalista Mário Vianna afirmou que "o Ministério da Saúde tem mais de 150 trabalhos científicos com resultados positivíssimos com tratamento precoce". Quando perguntado sobre a procedência desses estudos, Vianna disse que "não tem em mãos, mas os documentos estão nas redes sociais", sem dar detalhes. A prefeitura também foi questionada sobre quais evidências científicas subsidiam o uso desses remédios, mas também não respondeu.

Nova gestão de Porto Alegre adotou medicamentos sem eficácia

Desde a campanha, o novo prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB), anunciava ser contrário a medidas de restrição para conter a transmissão da covid-19. Tão logo assumiu o governo, Melo cumpriu a promessa, e editou um decreto flexibilizando as restrições impostas pelo antecessor, Nelson Marchezan Jr (PSDB).

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