Produtora de moda negra diz ter sido vítima de racismo em loja do Shopping Iguatemi em SP

Matérias Top 27/01/2021 Relatar Quero comentar

Loja Lool informa que pediu desculpas para a mulher, mas afirma que não houve racismo. Segundo a produtora, a vendedora pediu que ela se retirasse da loja e a tratou com desdém. Apesar disso, a mulher registrou boletim de ocorrência para que a Polícia Civil investigue a acusação de racismo.

Uma produtora de moda negra disse ter sido vítima de racismo em uma loja no Shopping Iguatemi, na Zona Oeste de São Paulo. De acordo com ela, a vendedora se recusou a atendê-la, a tratou com desdém e pediu para que saísse da loja. A mulher foi a uma delegacia especializada em crimes raciais e registrou boletim de ocorrência para que a Polícia Civil investigue a acusação de racismo contra a loja Lool.

Na quinta-feira (21), Naiara Albuquerque, de 29 anos, foi buscar acessórios emprestados na loja Lool para a atriz Taís Araújo. A retirada já estava combinada com o departamento de marketing da loja.

De acordo com ela, a vendedora da loja se recusou a atendê-la por duas vezes, enquanto recebia outros clientes brancos que chegavam depois.

"Eu me apresentei, falei o que eu estava fazendo ali, falei meu nome, falei quem eu era e imediatamente ela pediu para que eu saísse da loja porque ela tinha outra cliente para atender. Ela estava no meio de um atendimento, ela estava sozinha e [perguntou] se eu poderia voltar daqui 15 minutos. Eu achei que era um procedimento por conta da pandemia", contou Naiara que achou que o pedido para sair da loja era para evitar aglomerações.

Após dar uma volta de 15 minutos pelo shopping, ela retornou e viu alguns clientes dentro da loja e outros entrando ao mesmo tempo.

"Eu fiquei no corredor na frente da loja e outras pessoas estão circulando normalmente e eu não, todas brancas", disse.

"Uma cliente vendo o ocorrido falou que ela poderia me atender e a vendedora voltada pra ela falou com um gesto de desdém, 'não, já falei pra ela voltar em um outro momento'", relatou.

Às 12h36, sem retorno, ela mandou uma mensagem para a funcionária do marketing com quem tinha combinado tudo, mas resposta veio só à noite, com um pedido de desculpas, depois que Naiara denunciou o caso nas redes sociais.

Ela diz que essa não é a primeira vez que é vítima de racismo, e que o crime se manifesta nas atividades mais banais, no dia a dia.

Em nota, a loja Lool nega que tenha tido racismo por parte da vendedora que, segundo a direção da loja, também é negra. Contudo, informou que iniciou uma "investigação interna" e entrou em contato com a produtora para ouvi-lá e pedir desculpa pelo ocorrido.

A loja afirmou ainda que ao longo de 12 anos vem trabalhando para construir um ambiente que valoriza o respeito, a pluralidade e a diversidade.

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