Eleições indefinidas nos EUA: o fracasso da estratégia Joe Biden

Amélia 04/11/2020 Relatar Quero comentar

Diante de todos os erros, mentiras e uma enorme fileiras de absurdos cometidos ao longo de quatro anos, Donald Trump sobreviveu. É possível que o republicano ainda vença a eleição, ou perca por uma margem apertada. Indubitavelmente responsável pelo fracasso absoluto na lida com o coronavírus, responsável por um país que gera mais pobreza e desemprego, racista, machista, misógino, ele está aí. Mostrou força e promete aniquilar as bases de legitimação da ex-admirada democracia norte-americana.

Um resultado desses não se explica apenas pelos acertos de Trump. É preciso entender onde falharam os democratas. E a resposta, embora óbvia, não será facilmente admitida: os erros são muitos, mas todos podem ser resumidos na estratégia Joe Biden.

O que foi a estratégia Biden? Basicamente, a opção por um nome centrista, incapaz de polarizar uma discussão, avesso a assumir qualquer compromisso radical em qualquer pauta que lhe fosse apresentada. Baseado em compromissos com o , mas também com a leitura ligeira da situação política, Biden foi apresentado como o candidato capaz de conquistar o centro. O homem que tiraria votos menos radicais de Trump e, por outro lado, não animaria os eleitores mais extremados da direita a se sentirem ameaçados a ponto de se engajarem na luta contra o comunismo e socialismo, o fantasma que ronda a política norte-americana desde o fim da Segunda Guerra Mundial. 

Não funcionou com Hillary Clinton, que adotou o mesmo discurso ao bater Bernie Sanders na convenção democrata, e não funcionou com Biden. Mesmo que Biden vença, ele deverá essa vitória não a seus méritos, mas à agressividade da covid-19. E, dessa forma, Trump e o trumpismo continuarão a ser uma força política poderosa nos Estados Unidos. 

Onde, então, falhou o Partido Democrata? 

A escolha centrista atrapalhou o partido mesmo em redutos tradicionais. Na Flórida, boa parte dos latinos bandeou para Trump. Biden não significava nenhuma esperança para eles. Para o eleitorado negro, Biden e Kamala Harris formavam uma dupla problemática, os políticos tradicionais que, de olho em eleitorados mais amplos, viraram as costas para a luta contra o encarceramento em massa. E para os trabalhadores brancos, seja nos estados industriais, seja nos estados agrícolas, o que mudaria com Biden? Quase nada. Nenhuma política explícita de aumento dos direitos trabalhistas ou do salário mínimo. 

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