Quem era João Alberto Freitas, homem espancado e morto no Carrefour no RS

N. Ferreira***** 20/11/2020 Relatar Quero comentar

"Ele era esperto, brincalhão, amigo para toda a hora", diz André Gomes sobre João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, espancado e morto por dois homens brancos em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, na noite desta quinta-feira (19), véspera do Dia da Consciência Negra. Os dois foram presos.

"Peguei meu celular agora de manhã e levei um choque. Éramos amigos desde a infância, nos criamos na mesma casa de religião, no batuque, na umbanda. Ele era tamboreiro. Estou fazendo 39 anos hoje, esse é meu presente", conta.

João Beto, como era conhecido pelos amigos, vivia numa comunidade na Vila Farrapos, na Zona Norte da Capital. Ele foi agredido e morreu dentro de uma unidade do supermercado Carrefour. As imagens da agressão foram gravadas e circulam nas redes sociais.

"Um cara de boa", define o amigo Paulão Paquetá, presidente da Associação de Moradores do Bairro Obirici. Os dois moravam a cerca de 200 metros de distância e se conheciam há mais de 10 anos.

"Um cara legal, estava sempre junto de nós. Gostava de sinuca e futebol. Torcia para o São José. Todo fim de semana fazia churrasco pro pessoal do bairro. Era de boa", completa.

Segundo a polícia, tinha antecedentes criminais por violência doméstica, ameaça e porte ilegal de arma.
De acordo com o amigo, João Alberto trabalhava como soldador, na empresa do pai. Dos dois primeiros casamentos, tinha quatro filhos. Com a esposa, tinha uma enteada. "Ele era da torcida do São José. Sempre que tinha jogo, ele estava no jogo logo cedo", diz.

Integrantes da torcida organizada do São Jose publicaram uma mensagem em homenagem a João Alberto. Veja o post:
"Na noite de hoje, Beto foi brutalmente espancado e assassinado por 2 seguranças do Carrefour Passo D'areia, há relatos que os seguranças bateram a cabeça dele no chão por diversas vezes e Beto clamava por socorro e pedia para respirar pois estavam trancando a respiração dele com os joelhos nas costas, bem na parte dos pulmões, infelizmente não resistiu a parada respiratória e acabou falecendo".

Crime

Os dois suspeitos, um de 24 anos e outro de 30 anos, foram presos em flagrante. Um deles é policial militar e foi levado para um presídio militar. O outro é segurança da loja e está em um prédio da Polícia Civil. A investigação trata o crime como homicídio qualificado.

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