Vacinação contra o COVID-19 não deve ser critério para volta às aulas

jhileade 29/12/2020 Relatar Quero comentar

Frente ao anúncio de um plano de vacinação brasileiro contra a Covid-19, a volta às aulas presenciais, defendida por pais e professores somente quando houver vacinação em massa, parece estar mais próxima no horizonte.

Para Renato Kfouri, pediatra e presidente do departamento de imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), é um equívoco condicionar a volta às aulas à vacinação em crianças.

"As crianças não estão sendo alvo dos programas de vacinação e dos estudos de fase 3 agora porque não são grupo de risco e tampouco fazem parte da cadeia de transmissão de forma importante", explica o pediatra.

"Tanto na proteção direta, que seria vacinar grupos de risco, quanto na proteção indireta, de vacinar aqueles que transmitem mais, as crianças não são foco dos estudos de vacinas", diz.  

"Não sabemos ainda quanto tempo vai durar a proteção das vacinas em desenvolvimento, mas, se elas precisarem de reforço a cada cinco ou dez anos, vacinar agora pode 'empurrar' a proteção das crianças até um momento em que elas podem ser suscetíveis e adoecer mais gravemente. Isso me pareceria um erro", completa. Em termos de saúde pública, todos os esforços dos países e das desenvolvedoras de vacinas têm sido para garantir a proteção daqueles com maior risco de hospitalização e mortes –por enquanto, os idosos, pessoas em situação de vulnerabilidade e portadores de comorbidades. "É claro que existem crianças com comorbidades, e é importante entender como as vacinas funcionam nesses grupos, mas em um momento posterior." Os estudos de vacinas começam sempre em indivíduos adultos saudáveis. A partir daí, podem seguir para outros grupos. Quando se conhece que um imunizante é seguro, ele pode passar a ser testado em crianças.  

Diversas farmacêuticas têm desenvolvido em paralelo estudos de fases 1 e 2 –quando se testam a segurança, dosagem e capacidade de produzir anticorpos das vacinas– com crianças e adolescentes. A vantagem seria aproveitar o momento de grande investimento e também as taxas elevadas de contágio do vírus para conduzir os estudos. A Pfizer, cuja vacina já foi aprovada e esta em uso no Reino Unido, nos EUA e em outros países, iniciou em outubro um estudo combinado de fases 2/3 com crianças a partir de 12 anos do seu imunizante, sem divulgar quantos jovens estariam envolvidos.  

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