Acuados entre fogo e agricultura, animais do Pantanal não têm para onde fugir

Amélia 17/09/2020 06:14 Relatar

Em meio a uma seca sem precedentes, o fogo no Pantanal já consumiu pelo menos 2,3 milhões de hectares do bioma no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A área representa 15% de toda a extensão da maior zona tropical úmida do mundo, conforme o Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo).

As imagens dos animais mortos ou gravemente feridos pelas chamas causam comoção e revolta. Acuada entre o fogo, de um lado, e gigantescas terras destinadas à agricultura, do outro, a fauna típica da região não tem para onde escapar.

"Saindo do Pantanal, para onde poderiam ir? O Cerrado, o bioma do entorno? A maior parte do Cerrado já foi transformado em agricultura", explica Joari Costa de Arruda, doutor em biodiversidade e biotecnologia e professor da Unimat (Universidade do Estado do Mato Grosso).

"Na realidade, o Pantanal é um refúgio de toda a pressão que temos em volta. Suprimindo esse ambiente com os incêndios, esses animais não têm para onde ir. Não há um local onde eles possam permanecer, voltar, procriar. Se a gente perder mais desse ambiente, são vidas que jamais vamos conseguir ver novamente", diz.

Fauna excepcional ameaçada

As onças-pintadas são o cartão-postal do Pantanal, que concentra a maior população da espécie no planeta. Mas também estão ameaçados animais típicos como arara-azul-gigante, lobo-guará, ariranha, tamanduá-bandeira e o tuiuiú, além de dezenas de serpentes, jacarés e macacos, entre tantos outros.

"Se o Cerrado também não for preservado, teremos problemas. As nascentes do Pantanal estão todas no Cerrado, como os rios Cuiabá e Taquari.  As chuvas vêm de lá", frisa Arruda.

O pesquisador lembra que os incêndios ilegais, iniciados em julho para expandir a área plantada e preparar a terra, não são o único problema que o Pantanal enfrenta: 2020 está sendo um ano excepcionalmente trágico para o bioma. No início do ano, a deterioração da qualidade da água dos rios, com o fenômeno chamado de dequada, levou a uma mortalidade em massa de peixes.

Depois, a pandemia de coronavírus resultou no aumento das atividade nos rios, que ficaram sobrecarregados. Agora, a estiagem e a ocorrência de temperaturas extremas propagam os incêndios. Pela primeira vez desde que há registros meteorológicos, Cuiabá teve três dias consecutivos a 42?C.

"A gente hoje está passando por uma seca histórica, a maior dos últimos 100 anos, conforme os registros. Estamos num período em que, pela legislação, é proibido o uso de fogo, mas não é o que temos visto", comenta. "É muito tenebroso o futuro que nos espera se a gente não cuidar mais disso."

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