A mulher de 97 anos que sobreviveu a Auschwitz e à Covid-19

Só matérias boas 01/02/2021 Relatar Quero comentar

Lily Ebert, de 97 anos, é uma das últimas sobreviventes do Holocausto do . E mais de 75 anos após vencer os horrores nazistas, ela superou outra ameaça: a Covid-19.

"Eu estive em Auschwitz, passei pela pior situação que um ser humano pode viver. E graças a Deus eu sobrevivi", contou ao repórter Guy Lynn, da BBC, em sua casa no norte de Londres.

Lily tinha apenas 21 anos quando foi salva por tropas americanas em 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial. Ela e duas irmãs estavam em uma Marcha da Morte, uma transferência forçada de prisioneiros para outro campo de concentração. Muitos não chegavam vivos ao fim do trajeto.

Um ano antes, ela tinha sido deportada de Bonyhád, sua cidade natal na Hungria, e levada a Auschwitz, campo de concentração na Polônia onde cerca de 1 milhão de judeus e milhares de outras pessoas foram assassinadas pelos nazistas.

Segundo relato dela à fundação britânica para o Dia em Memória das Vítimas do Holocausto, ao descer do trem, a família - ela, a mãe, um irmão e três irmãs - tiveram o destino selado por um homem com um bastão na mão: o médico Josef Mengele, que ficaria conhecido como "Anjo da Morte" por causa de seus cruéis experimentos em prisioneiros.

Após a derrota na guerra, Mengele adotou nomes falsos e passou por diferentes países até se estabelecer no Brasil, onde viveu até sua morte no Guarujá (SP), em 1985.

Fazendo um movimento seco com o bastão, o médico decidiu o futuro da família: Lily e duas irmãs, Renee e Piri, foram para a direita. A mãe, Nina, o irmão, Bela e a outra irmã, Berta, para a esquerda.

As jovens foram levadas para tomar um banho, ter o cabelo cortado e tiradas de si qualquer coisa que carregassem. Já as pessoas mandadas para a esquerda eram enviadas para a câmara de gás e o crematório.

Ao verem uma fumaça, Lily e as irmãs perguntaram aos outros prisioneiros se era uma fábrica. Foi quando souberam que nunca mais veriam o restante da família de novo.

Após a libertação, em 1945, as irmãs foram viver na Suíça. Em 1967, Lily se mudou com o marido e três filhos para Londres, onde vive até hoje.

Lily conseguiu esconder dos nazistas um pequeno pingente de ouro durante todo o tempo em que esteve presa. Uma lembrança da família que ela usa todos os dias até hoje.

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