Sem nunca ter sido julgado, Gabriel morreu de meningite na prisão

Amélia 09/10/2020 04:06 Relatar

O motoboy Gabriel Prazeres Gomes, 19 anos, era um brincalhão nato. Tudo para ele era alegria. E ele também tinha muitos sonhos. Nos últimos dias do mês de julho, sua mãe realizou um deles: uma moto. Que ele usaria para trabalhar, ajudando em casa e construindo o futuro com a namorada, com quem sonhava em casar. Mas todos os seus sonhos foram interrompidos – duas vezes.

A primeira interrupção foi quando o jovem foi preso. 131,8 g de drogas lhe custaram a liberdade. Drogas essas, assegura a irmã mais velha, que foram fruto de um flagrante forjado pela polícia. Gabriel foi abordado pelos PMs Henrique Romualdo da Silva e Fernando de Sousa David, ambos da 3ª Companhia do 49º Batalhão da PM paulista.

No 33º DP (Pirituba), os policiais falaram que foram chamados para uma ocorrência de perturbação de sossego quando notaram uma moto preta com duas pessoas. Segundo os PMs, o garupa ficou olhando para atrás “demonstrando nervosismo” e fugiram quando ouviram o sinal para parada, quando foram acompanhados e “caíram ao solo”.

Para o delegado João Roberto de Lemos Barbassa, do 33º DP, Gabriel deveria ter sido preso em flagrante por tráfico de drogas. O promotor Cláudio Henrique Bastos Giannini, do Ministério Público de São Paulo, também teve esse entendimento, assim como o juiz Fabio Pando de Matos, do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Morador do Jaraguá, zona noroeste da cidade de SP, ele passou a viver no CDP de Belém, na zona leste de SP, e, posteriormente, no CDP II de Osasco, na Grande SP. Mesmo sem julgamento, sua pena foi a morte. Em 27 de setembro, Gabriel foi levado para o Hospital Regional Dr. Vivaldo Martins Simões, de Osasco, e internado com “crise convulsiva seguida de rebaixamento de nível de consciência”. Morreu às 3h38 do dia 28 de setembro no hospital. Foi enterrado no Cemitério de Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte da cidade de São Paulo.

Sua família sequer sabia que ele estava doente ou que havia sido internado. Só foram comunicados da morte. Ainda muito abalada, Rita*, irmã de Gabriel, conta à Ponte como o seu irmão era um “menino de ouro”, que cuidava da mãe como ninguém.

Negro e pobre, narra a irmã, Gabriel era constantemente abordado pela PM. “E eram sempre os mesmos policiais. O Gabriel era muito brincalhão e não levava as coisas muito a sério e eu acho que isso irritava os policiais, talvez por ele rir na hora errada”.

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