Gestão Covas instala pedras sob viadutos na Zona Leste de SP, mas retira após acusações de higienismo

Só matérias boas 03/02/2021 Relatar Quero comentar

A gestão do prefeito Bruno Covas (PSDB) instalou blocos de paralelepípedo da parte inferior de viadutos na Zona Leste da capital. As pedras, no entanto, começaram a ser retiradas nesta terça-feira (2), após repercussão negativa do serviço. A medida tinha recebido críticas por ser vista como higienista, uma forma de retirar a população de rua do local.

A Prefeitura de São Paulo alega que a decisão de instalar os paralelepípedos foi tomada de forma isolada por um funcionário, que já foi exonerado.

Sem-teto, trabalhadores da região e um funcionário da Prefeitura que não quis se identificar disseram ao  G1 que os viadutos Dom Luciano Mendes de Almeida e Antônio de Paiva Monteiro, localizados na Avenida Salim Farah Maluf, receberam as pedras entre outubro de 2020 e janeiro de 2021, em ambos os sentidos.

"Começaram aqui esses dias. Maior 'tiração'. Palhaçada. Coloca tudo e depois tira? Desculpa, mas é a maior lavagem de dinheiro", opinou William Oliveira, de 35 anos, que dorme sob um dos viadutos há cerca de 15 anos. "Falaram para sair fora, que fariam não sei o quê, daí ontem disseram 'não, pode ficar aí, daí hoje de manhã o rapaz saiu pegando meu colchão, falando para eu sair fora de novo", continuou.

Na manhã desta terça (2), dezenas de funcionários com uniformes da Prefeitura de São Paulo e da Corpotec Construtora trabalhavam na remoção dos paralelepípedos manualmente e também com o uso de tratores.

Um dos funcionários não quis gravar entrevista, mas disse que o serviço foi feito a pedido da subprefeitura da Mooca com a intenção de evitar o descarte irregular de lixo nos locais.

O padre Júlio Lancellotti, coordenador da Pastoral do Povo de Rua da Arquidiocese de São Paulo, esteve no local, e disse discordar da versão alegada pela Prefeitura.

Funcionários do posto de gasolina vizinho disseram que os locais onde as pedras foram instaladas realmente se tornaram ponto de descarte irregular, mas acrescentaram que nos trechos cimentados havia grande quantidade de moradores de rua.

"Deste lado, onde o piso era de terra e virava lama, havia muito descarte irregular à noite; mas naquele outro trecho, cimentado, os moradores de rua ficavam, sim, em grande número", disseram.

Em 2019, a Prefeitura realizou o Censo da população em situação de rua. O levantamento, além de apontar o número total de pessoas nessa situação, tem como finalidade orientar a criação de políticas públicas.

Clique na segunda página para continuar navegando
Comentário do usuário