Sara Winter chora e se diz cansada do governo: Não reconheço mais Bolsonaro, "Só queria um abraço dele"

Portal de Notícias 05/10/2020 23:59 Relatar

Em prisão domiciliar, a ativista Sara Winter, apoiadora do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e principal porta-voz do grupo bolsonarista autodenominado "300 do Brasil", usou as redes sociais para criticar o governo e o mandatário.

Em uma longa publicação em sua conta no Facebook, Sara, que foi presa em 15 junho deste por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal) no âmbito do inquérito que apura manifestações de rua antidemocráticas, diz não reconhecer mais o presidente. Ela está em recolhimento domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica desde o fim daquele mês.

"Não sei mais quem ele (Bolsonaro) é. O homem que eu decidi entregar meu destino e vida para proteger um legado conservador", disse. Em uma sequência de vídeos postados na função stories do Instagram, Sara chorou e disse estar com depressão. "Eu vou ter que levantar e resolver os meus problemas. E não tem Bolsonaro para ajudar e não tem Damares (ministra da Mulher, da Família e dos Diretos Humanos) para ajudar", falou.

Veja o vídeo:

A ativista disse sentir "inveja" do ministro Dias Toffoli, do STF, por ter ganhado um abraço do presidente. Imagens da CNN Brasil mostraram Bolsonaro abraçando o ex-presidente da Corte durante uma reunião no sábado (3) com a presença do desembargador Kassio Nunes Marques, indicado para ocupar a vaga de Celso de Mello no Supremo. Segundo Sara, todas as pessoas que tiveram contato com ela, a começar pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Diretos Humanos, estão sendo exoneradas. Ela foi servidora da pasta, mas acabou desligada em outubro do ano passado. A ativista acrescentou que um ofício protocolado por sua defesa no ministério em junho sobre sua prisão, que classifica como "política", não foi analisado.

Na publicação, Sara afirmou ainda ter sido repreendida pelo ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno, pelo tratamento dado pelo grupo "300 do Brasil" à imprensa. "General Heleno me proibiu de gritar com a imprensa, de mandá-los embora, de gritar 'Globo lixo'. Pq (sic), né... coitadinho (sic) dos jornalistas que f... a vida do Bolsonaro todo dia. Eles precisam trabalhar, dona Sara! Não os incomode mais", escreveu a ativista. "Fomos 'aconselhados' por deputados da base aliada a não falar mais um ai do (Rodrigo) Maia ou do STF, pra não atrapalhar, claro", acrescentou. Em resposta, o general Heleno confirmou na tarde de hoje que recebeu Sara e membros do grupo em maio para "aconselhá-los". "Travamos um diálogo amistoso, educado e produtivo. Objetivo era aconselhá-los a moderar suas posições e colaborar com a segurança de todos na porta do Alvorada. Não houve qq tipo de discórdia, reprimenda ou ameaça".

Na postagem, Sara também diz querer "um Brasil livre do comunismo e do aborto" e que "nem no governo Bolsonaro existem direitos humanos para os conservadores". Numa outra publicação, ela negou estar contra o presidente. "Não sou louca de estar contra ele. Eu sou a louca que quer entender pq (sic) todos os bolsonarista (sic) estão sendo expurgados do governo Bolsonaro", escreveu.

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