Menino de 6 anos precisa ser entubado após ter Covid-19; mãe comove com relato: ‘Piorou muito rápido’

N. Ferreira***** 24/12/2020 Relatar Quero comentar

A empresária Thaís Bernardes, de 34 anos, relata que nunca imaginou que o filho, Rodrigo Bernardes Filho, sofreria sequelas tão graves causadas pela Covid-19, aos 6 anos. O menino, que sempre praticou esportes e não tem comorbidades, foi entubado após ter detectada uma síndrome inflamatória rara, depois de ser infectado pelo novo coronavírus.

Chamado no hospital em que estava internado, em Santos, no litoral de São Paulo, de 'pequeno grande guerreiro', Rodrigo completou 7 anos há poucos dias, já de alta, mas ainda se recuperando das sequelas da chamada Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P).

A criança venceu a batalha contra a doença após 14 dias internada. De acordo com a mãe, além do filho, ela, o marido, a avó de Rodrigo e o tio dele pegaram a doença. Poucos dias antes de o menino ser internado, o administrador de empresas Rodrigo Bernardes, pai do garoto, teve alta depois de ficar internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), por ter 80% dos pulmões comprometidos devido à Covid-19.

"Primeiro, o meu cunhado ficou internado por mais de 50 dias devido à doença. No dia em que ele teve alta, meu marido foi ao médico e descobriu o comprometimento dos pulmões, e foi rapidamente internado e encaminhado para a UTI. Depois disso, meu marido teve alta, no fim de setembro, e quando a gente ainda estava tentando comemorar que ele tinha saído do hospital, meu filho começou a apresentar os sintomas da síndrome, que até então desconhecíamos", conta a empresária.

A Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica, que é considerada rara, pode se desenvolver em pessoas de 0 a 19 anos que tiveram Covid-19 previamente e que, inclusive, já estão curadas da doença.

O primeiro critério para avaliação dessa síndrome é que o paciente tenha tido Covid-19 previamente. Entre os sintomas, estão:

Febre Conjuntivite Manchas vermelhas no corpo Problemas gastrointestinais Dor abdominal Vômitos Inchaço nas articulações Tosse Falta de ar

Segundo a mãe, o filho teve todos os sintomas acima. Foram diversas idas ao médico, até que chegassem ao diagnóstico da SIM-P, detectada por uma pediatra da Santa Casa de Santos. Em seguida, Rodrigo foi internado e teve de ser entubado devido à gravidade do caso. "Ele piorou muito rápido. Quando soubemos o que era, ficamos sem chão. É muito difícil você saber que alguém da sua família está sendo internado pela Covid-19, porque dá medo do que pode acontecer com a pessoa, como vai reagir à medicação, e ainda mais ele, que é uma criança", diz. 

O menino passou 14 dias internado no total, e recebeu alta no fim de outubro. Rodrigo, atualmente, está em casa e, aos poucos, vai voltando à vida normal. Apesar de dois meses de alta, a mãe relata que ainda há sequelas na criança.

"Ele ainda se sente cansado em coisas que fazia com facilidade, como andar de bicicleta. A perda da massa muscular foi uma das coisas que mais impactou depois da internação, porque para o meu filho ficar em pé e dar os primeiros passos, foram uns quatro dias, porque ele não tinha força nas pernas. Fez fisioterapia. Esse é o perigo da Covid-19, ela é rápida e, às vezes, pode enganar que você está bem. Deixa sequelas. Nunca pensei que meu filho pudesse ser tão afetado pela doença", relata. No Estado de São Paulo, segundo a Secretaria de Saúde informou ao G1, até a última sexta-feira (18), foram registrados 101 casos e sete óbitos por SIM-P temporalmente associados à Covid-19, ou seja, situações em que este quadro foi identificado. A faixa etária de 0 a menores de 10 anos responde por 73% dos casos e 28% dos óbitos, e o restante refere-se a crianças e jovens de 10 até 19 anos.

"Só de lembrar tudo que passamos, fico arrepiada. É terrível saber que seu filho pequeno está entubado. Por isso, por mais que já tenhamos pegado a doença, preservamos ainda todos os cuidados para prevenção à Covid-19. É preciso ter consciência, porque, independentemente da idade, a doença pode ser, sim, grave. Se todos fizermos nossos papéis, podemos evitar que muitas outras pessoas sejam infectadas. Meu filho de 6 anos passou por isso e não desejo que ninguém mais passe. Você passar duas vezes isso, e ver que as pessoas não estão nem aí, é pior ainda. As pessoas precisam se cuidar", finaliza a mãe.

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