Bolsonaro revê estratégia e avalia se filiar ao Centrão

Ramalhordl 18/11/2020 Relatar Quero comentar

Diante do resultado das eleições municipais que apontou crescimento dos partidos de centro, o presidente Jair Bolsonaro já considera a filiação a uma das legendas de que integram esse campo político.

A escolha seria por uma legenda da base aliada. Duas vêm sendo avaliadas. Uma delas é o Progressistas, antigo PP, comandado pelo senador Ciro Nogueira. É o partido também do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, e do pré-candidato a presidente da Câmara Arthur Lira. 

O presidente tem dito que se sente bem na sigla, à qual foi filiado por 11 anos, entre 2005 e 2016. No domingo, o partido amealhou 696 prefeituras, tornando-se o segundo maior do país em número de prefeitos. 

A outra é o PSD do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab. Com 657 prefeitos eleitos, ficou na terceira colocação no domingo. O partido é o mesmo do ministro das Comunicações, Fabio Faria. 

Uma terceira possibilidade também tem sido colocada na mesa: a filiação ao Patriotas, partido ao qual o presidente quase se filiou para disputar a presidência em 2018. Nesse caso, a avaliação é de que seria mais uma opção pelo comando de uma legenda do que pela capilaridade política que os partidos do centro oferecem, uma vez que o Patriotas elegeu apenas 49 prefeitos. De qualquer modo, todas as três integram a base aliada de Bolsonaro no Congresso. 

O presidente e seus filhos estão pessimistas com a criação do Aliança pelo Brasil, mas o projeto não está abortado. Ele será retomado e considerado uma opção para a adesão de bolsonaristas.

Bolsonaro, porém, está mais propenso a um partido já estruturado, com know-how político, com uma máquina partidária já pronta e que, claro, já faça parte dos aliados. Como o Expresso CNN mostrou na segunda-feira, os principais partidos da base (Progressistas, PSD, PTB, PSC, PL e Republicanos) cresceram mais que os partidos do chamado centro independente (PSDB, DEM e MDB), que não devem seguir com Bolsonaro em 2022.

Esses aliados elegeram 2.207 prefeitos, 24,76% a mais do que em 2016. O outro grupo elegeu 1743, 16,4% a menos do que há quatro anos.

Quando se consideram os votos dados aos partidos, os aliados obtiveram 32,7 milhões de votos, 18,3% a mais do que os 27,7 milhões de 2016. Já o centro independente teve 29,9 milhões de votos, menos 21,1% do que há quatro anos. 

O outro campo político que certamente terá um candidato em 2022 é a esquerda, composto por PT, PSB, PDT, Cidadania, PCdoB, Rede e PSOL. Foram 932 prefeitos eleitos ante 1.196 em 2016, redução de 22%. Em total de votos, foram 23,8 milhões neste ano ante 29 milhões em 2016, redução de 17%.

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