‘A coisa mais triste é perder um filho e nem poder ir ao enterro’, DIZ MÃE DE VÍTIMA DO CORONAVÍRUS

SÓ MATÉRIAS TOP 20/03/2020 15:03 Relatar

primeira vítima fatal da  Covid-19 no Brasil entrou no carro com o irmão na noite do sábado 14 para ir ao hospital, a pouco mais de 500 metros de casa, porque não se sentia bem. Queixava-se de tosse, dores no corpo e dos efeitos do inchaço nas pernas decorrente de uma trombose que o acompanhava havia pelo menos dois anos.

Problemas de vista, decorrentes de uma diabetes, já tinham afastado o  porteiro aposentado de 62 anos do trabalho em um prédio residencial no bairro da Bela Vista, na região central de São Paulo, havia pelo menos um ano e meio. Ele também tinha hipertensão e hiperplasia prostática — aumento benigno da próstata, que causa infecção urinária. Homem de origem humilde, vivia com os pais — idosos de 82 e 83 anos — duas irmãs e um irmão, com idades próximas à dele.

“A coisa mais triste do mundo é perder um filho, não poder ir ao enterro, não poder fazer nada. É muito difícil, difícil, difícil. Até a gente não aguentar mais”, desabafou a mãe, ao telefone, horas antes de ser internada.

Ela ainda se queixava de dores no corpo e boca seca. “No dia em que meu filho saiu daqui para ir ao pronto-socorro, falei com ele que pegasse na mão de Deus e fosse. Diante de Deus, () é nada.”

O filho buscou atendimento em uma unidade da Prevent Senior — plano de saúde privado com atendimento em unidades próprias e especializado no atendimento a idosos, a preços mais baixos que os oferecidos pelos planos médios. Três quartos de seus quase 500 mil clientes têm mais de 61 anos.

Logo na chegada ao hospital, relatou quatro dias de desconforto respiratório. Na madrugada do domingo, foi internado na UTI e entubado. A família foi avisada sobre a gravidade de seu estado de saúde durante o dia. Sua morte foi atestada às 11h25 da segunda-feira 16, marcando-o como o primeiro registro oficial de morte decorrente do novo coronavírus no Brasil.

Ao receber do hospital uma declaração de óbito para fins funerários, uma irmã que mora na mesma rua da vítima esperava encontrar como causa da morte as várias doenças que acometiam o irmão havia anos. Mas tomou um susto quando leu o texto: “Síndrome do desconforto respiratório/pneumonia — provável Covid-19”. “Saí para providenciar o enterro de meu irmão, mas antes perguntei o que era aquilo. O infectologista ficou de me ligar para dizer se havia confirmação. Mas não me ligaram nem falaram nada”, contou a mulher, de 53 anos, que trabalha como auxiliar veterinária.

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