A Humanidade está num relacionamento sério com os robôs. E agora?

ashgi 05/06/2021 Relatar Quero comentar

Que a inteligência artificial já está em nossas vidas, todos sabemos. Os assistentes virtuais nos salvam de sufocos clássicos, como traduções para outros idiomas e direcionamento de qual rua virar com o carro, quando estamos prestes a nos perder. Eles estão entre nós mas não dá pra dizer que são da família.

Explico: até então, os bots não tinham assumido uma forma, estavam escondidos em nossos devices, o que criava algum distanciamento. Digamos que facilitavam o nosso convívio em sociedade. Só que isso está começando a mudar. O que era apenas uma tecnologia sem forma está se tornando tangível – o que muda tudo. Não para as máquinas, que afinal, são máquinas, mas essencialmente pra nós, humanos que precisamos lidar com elas.

Foi sobre isso que a polonesa Aleksandra Przegalinska falou em sua palestra (arrebatadora) no SXSW 2019. Ela é PhD em filosofia da inteligência artificial – prestem atenção neste crédito, ele já diz muito sobre nosso futuro. O que ela faz?  Dedica sua carreira a estudar a relação social e afetiva entre pessoas e robôs, além, é claro, das nossas interações com wearables e bots. E ela trouxe algumas previsões do que está acontecendo conosco neste processo de evolução da IA.

O exemplo mais famoso citado por Aleksandra é a Alexa, a assistente da Amazon que é um sucesso de vendas dos EUA. Uma espécie de pod que realiza tarefas a partir de comandos de voz, ela é capaz de executar até 33 mil tarefas, desde contas matemáticas até acender a luz e ligar um eletrodoméstico em casa. Alexa é uma bot criada para se comunicar com cada vez mais objetos eletrônicos e “facilitar” os nossos afazeres. Com aspas porque, como aprendi com Aleksandra, nada é de graça.

Na real, essa relação com os robôs e máquinas interfere no mundo que vivemos, interfere em nós. Uma das perguntas pertinentes que Aleksandra fez é a seguinte: será que podemos estabelecer relacionamentos abusivos com os robôs? E eles, são capazes de registrar, se desenvolver e evoluir a partir de experiências de convívio conosco? Será que aprendem emoções?

Antes que pudéssemos ficar apavorados, Aleksandra respondeu que o mais provável é que eles não sintam as emoções. Mas o fato de poder emular reações a partir do que observam de nós cria desafios. As robôs com que ela vem trabalhando no MIT, por exemplo, já têm rostos e formas físicas, e são capazes de copiar nossas expressões faciais. E como boas máquinas que são, aprenderam os gatilhos adequados para expressar cada emoção, como raiva, medo ou alegria, estabelecendo diálogos sobre sentimentos. Não é incrível e assustador ao mesmo tempo?

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