Bolsonaro tocou na ONU uma playlist das mentiras que conta no Brasil

Amélia 24/09/2020 04:24 Relatar

Bolsonaro contou um combo de mentiras durante seu discurso, na abertura da Assembleia Geral da Nações Unidas, nesta terça (22). Culpou "índios" e "caboclos" pelos incêndios na Amazônia, livrando a barra de grileiros e pecuaristas; isentou a si mesmo de responsabilidade pela desastrosa política contra a covid-19, terceirizando a culpa para governadores; disse que adotava uma política de tolerância zero contra crimes ambientais quando, na verdade, seu governo faz o contrário: ataca servidores públicos do Ibama e Instituto Chico Mendes que tentam cumprir a lei.

Nenhuma novidade. Cada uma das mentiras contada por Bolsonaro é velha conhecida dos brasileiros e tem sido repetida à exaustão.

Discursos nas Nações Unidas de chefes de Estado internacionalmente irrelevantes e que são vistos como tributários de outros governos, como é o caso de Jair, são pensado mais ao público interno. No caso dele, o falatório foi direcionado ao bolsonarismo-raiz, aquele naco de 12% a 16% que tem atuado como guardião de seu governo.

O fato é que da mesma forma que Bolsonaro usou mentiras em seus mandatos como deputado federal e na campanha à Presidência da República, também tem as utilizado como instrumento de sua administração. Ou seja, a mentira tem método e não serve apenas para se livrar de acusações.

E o método tem funcionado.

Não importam fotos e vídeos da Amazônia e do Pantanal queimando, imagens de satélites com milhares pontos de calor comendo a região e relatos do inferno colhidos de indígenas, ribeirinhos e moradores de cidades. Bolsonaro aposta que a construção da realidade não brota de fatos, mas da narrativa que sai de sua boca. E, em sua narrativa, o salvo-conduto que ele entregou a quem depreda o meio ambiente não se traduz em destruição.

Com isso, o presidente afirma gostar da passagem bíblica do "Conhecereis a verdade e ela vos libertará" (Evangelho de João capítulo 8, versículo 32), mas parece, de fato, se identificar com "Eu sou o caminho, a verdade e a vida" (João, de novo, capítulo 14, versículo. Há colegas jornalistas com pudor de dizer abertamente "o presidente mente", acreditando que isso extrapola o papel da imprensa. Mas quando a mentira é usada como instrumento de governo, evitar a expressão torna-se um desserviço.

Contadas à exaustão, as mentiras do presidente tornam-se farol e norte para milhões de fãs e seguidores. Ele não precisa que o Brasil inteiro acredite nelas, apenas que sejam repetidas por uma parcela de ingênuos e outra de pessoas de caráter duvidoso, fortalecendo o seu nicho ruidoso de apoiadores. Todo governante mente, da esquerda à direita. A questão é quando isso se torna parte estrutural de uma gestão para refutar quaisquer fatos e dados comprovados que estejam na contramão dos desejos do presidente.

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