Ano de 2020 tem recorde de ataques à liberdade de imprensa desde início da série na década de 1990, diz Fenaj

Matérias Top 27/01/2021 Relatar Quero comentar

Federação Nacional dos Jornalistas registrou 428 casos de violência, mais do que o dobro do ano retrasado. Aumento está associado à 'sistemática ação do presidente da República, Jair Bolsonaro', segundo o relatório.

O ano de 2020 registrou 428 casos de ataques à liberdade de imprensa, de acordo com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). Foi o ano mais violento desde o início do levantamento na década de 1990, de acordo com o relatório  Violência Contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil, publicado nesta terça (26).

O levantamento mostra que  Bolsonaro foi responsável por 175 casos, o que corresponde a cerca de 41% dos ataques. Ele cometeu, segundo a Fenaj, 145 casos de descredibilização da imprensa, 26 agressões verbais, duas ameaças diretas e dois ataques à Fenaj.

Tanto em 2019, quanto em 2020 houve  dois assassinatos e dois casos de racismo. O relatório afirma que "o registro de duas mortes de jornalistas, por dois anos seguidos, é evidência concreta de que há insegurança" para o exercício profissional.

Os jornalistas assassinados foram  com o Paraguai, e Edney Neves, que trabalhava na campanha à reeleição da Prefeitura de Peixoto de Azevedo, no Mato Grosso, e relatou que recebia ameaças.

Distribuição por casos:

Assassinatos - 2 Agressões físicas - 32 Agressões verbais/virtuais - 76 Ameaças/intimidações - 34 Ataques cibernéticos - 34 Atentado - 1 Censuras - 85 Cerceamentos à liberdade de expressão por meio de ações judiciais - 16 Descredibilização da imprensa - 152 Impedimentos ao exercício profissional - 14 Injúrias raciais/racismo - 2 Sequestro/cárcere privado - 2 Violência contra a organização dos trabalhadores/sindical - 6

O relatório destaca ainda o aumento de censura (750%) e de agressões verbais/ataques virtuais (280%) de um ano para o outro. Estas, segundo o levantamento, cresceram com o incentivo do presidente.

"Jornalistas passaram a ser agredidos por populares nas ruas e os ataques virtuais, por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens, tornaram-se comuns. Apesar do aumento significativo, é muito provável que ainda haja subnotificação dos casos, porque muitos profissionais não chegam a denunciar o ataque sofrido", diz o relatório.

O Sudeste é a região com mais casos de violência direta ontra jornalistas, mas o Centro-Oeste registra o maior número de atentados à liberdade de imprensa.

A unidade federativa com números mais altos é o Distrito Federal, que contabilizou as censuras na Empresa Brasil de Comunicação (EBC), já que é o local da empresa.

Segundo o relatório, manteve-se a prevalência de agressões a jornalistas do sexo masculino. Entre as mulheres que foram vítimas de cerceamento à liberdade de impressão, 64 sofreram algum tipo de agressão.

Os jornalistas televisivos são os mais atingidos pelas agressões diretas. A EBC (que inclui veículos como TV, rádio, site e agência de notícias) foi contabilizada separadamente e ficou em segundo, seguida dos jornalistas que trabalham em portais (mídia digital).

O relatório mostra que o principal autor de ataques foi o presidente Jair Bolsonaro. Depois dele, servidores públicos foram os que mais atacaram. Em terceiro estão os políticos — Bolsonaro foi excluído desta categoria por ser o líder em ataques.

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