Viúva de Chorão, do Charlie Brown Jr., relata motivos que o levaram à depressão antes da morte

Nova Web Noticias 06/03/2021 Relatar Quero comentar

Viúva de Chorão, Graziela Gonçalves relata no livro "Se não eu, quem vai fazer você feliz" possíveis motivos que levaram o vocalista do Charlie Brown Jr. à depressão. Lançada este mês, a biografia traça um perfil do cantor pelo olhar da companheira e explicita a relação do artista com a dependência química, que o marido — batizado Alexandre — vivia um período de extrema angústia e não conseguia recuperar sua autoestima profissional. Em 2012, o estopim para a desestabilização emocional foi a frustração por não poder realizar um antigo sonho: tornar-se bombeiro. Chorão morreu aos 42 anos, em 2013, em decorrência de uma overdose em cocaína.

"Nos últimos anos, a preocupação com o humor dele já tinha se tornado uma constante na minha vida. Apesar do retorno recente e bem-sucedido da formação antiga do Charlie Brown Jr. (depois de uma briga que se tornou pública), com uma agenda cheia de shows para cumprir, o estado de espírito dele era a insatisfação permanente (...) 'Quero fazer alguma coisa que me preencha, que me faça sentir vivo de novo', ele tinha me dito poucos dias antes (...). Com essa ideia na cabeça, o Alê saiu naquela tarde e foi até o Corpo de Bombeiros, perto do prédio onde moramos em Santos (...) Ele voltou para casa depois de algum tempo, com o rosto molhado das lágrimas que ainda caíam. O Alê descobriu que existe uma série de procedimentos e exigências para ser bombeiro. Uma delas era a idade, que ele já tinha ultrapassado (...) O Alê, que todos conheciam como Chorão, tinha alcançado tudo o que um dia sonhara para a sua vida. No entanto, nunca havia se sentido tão infeliz", diz Graziela em trechos do livro.

A viúva relembra a história do amor do casal, a trajetória artística de Chorão, e relata que o casal perdeu um bebê no fim da década de 90. Graziela engravidou e sofreu um aborto espontâneo em 1997, semanas depois de contar ao marido que estava grávida e ouvir:

"Tiri, eu te amo e quero construir um mundo ao seu lado. Mas eu não acho que agora seja a hora de a gente ter um filho. Tô começando a minha carreira e ainda tem muita coisa para acontecer. Mas, se você quiser ter, sei lá, tudo bem".

A autora da biografia relata que passou mal por todos os dias da gravidez. Um dia, enquanto Chorão fazia shows fora de sua cidade, a companheira sentiu fortes cólicas e teve a notícia de que havia sofrido um aborto espontâneo. Por conta deste episódio, o casal deixou de cogitar aumentar a família. Alexandre Abrãao, único filho do cantor, é fruto do relacionamento de Chorão com Thais Lima, sua primeira companheira.

Num período brando, o interesse por doutrinas religiosas

Passada a fase difícil, em 1998, quando o cantor despontava no cenário artístico, o casal ascendeu financeiramente e se mudou para a capital de São Paulo. Eles trocavam declarações de amor e viviam um bom momento da vida a dois. Graziela lembra que, junto com mais um casal de amigos, Chorão estudava livros do espiritismo de Allan Kardec.

"Alê começou a sentir necessidade de mudar alguns padrões de comportamento para alcançar o que desejava. Ele começou a se interessar cada vez mais pela lei de causa e efeito e passou a acreditar em reencarnação. Em meio a tudo isso, a mudança nas suas letras ficava evidente".

Breve separação e reconciliação

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