Pai se dedica a cuidar de filho que ficou 45 minutos clinicamente morto.

Tá na Rede 27/04/2021 Relatar Quero comentar

Felipe de Campos, 15 anos, se afogou em uma praia quando tinha 11 anos e ficou 45 minutos clinicamente morto, mas foi ressuscitado por um bombeiro e encaminhado ao hospital. A falta de oxigenação causou uma paralisia cerebral severa.  Segundo os médicos, o garoto, apelidado pela família de Feu, poderia morrer a qualquer momento ou, se sobrevivesse, teria uma vida vegetativa e seria apenas um corpo ligado a aparelhos. Contrariando todos os prognósticos, Fauzer Leandro, 44, pai do menino, luta e se dedica incansavelmente pela recuperação do filho. Em quatro anos de reabilitação, Feu já respira sozinho, se mexe, tem voz audível e se alimenta pela boca.

"Antes do acidente, Feu tinha uma vida normal, como qualquer garoto de 11 anos: ia para a escola, brincava, jogava videogame. No feriado do dia 21 de abril de 2016, Dia de Tiradentes, o Feu foi para a praia com uma vizinha do condomínio onde eu morava. Ela ia fazer um bate-volta para Ubatuba (litoral norte de São Paulo) com o filho dela, o marido e mais um outro menino do prédio.

Feu antes do acidente com a mãe e os dois irmãos.

Segundo fiquei sabendo depois, as três crianças entraram na água e a maré os puxou. O filho da vizinha conseguiu sair a tempo e procurou ajuda. Não havia salva-vidas na praia. Dois banhistas entraram no mar e conseguiram tirar o outro menino, que disse que um amigo dele ainda estava lá. Os banhistas pegaram um bote e começaram a procurar o Feu, encontraram o corpo dele boiando, o resgataram e o levaram para a areia. Meu filho ficou 45 minutos clinicamente morto, não tinha pulsação nem batimentos cardíacos. Ele foi reanimado por um bombeiro que estava passando o feriado na praia. Ao ser ressuscitado, ele foi intubado e levado para o hospital de ambulância onde sofreu duas paradas cardíacas no caminho.

A vizinha que estava na praia ligou para a mãe do outro menino e contou do acidente. Essa minha vizinha foi ao meu apartamento e me disse que o Feu estava no hospital. Nós fomos para Ubatuba e no caminho liguei para a vizinha para saber o que, de fato, havia acontecido. Já fui preparado para o pior e perguntei: 'Meu filho está vivo ou morto?'. Ela disse que ele tinha se afogado, que estava em coma induzido e que os médicos não sabiam o que ia acontecer. Ao chegar lá, perguntei para a médica qual era o estado do Feu. Ela disse que era gravíssimo e que ele poderia morrer a qualquer momento.

O médico disse que ele sofreu um afogamento grau 6 e que a falta de oxigenação causou uma paralisia cerebral severa e irreversível. Segundo o médico, se meu filho viesse a sobreviver após as primeiras 72 horas, ele teria vida vegetativa para sempre, os dias dele seriam em cima de uma cama, atrofiado e sendo dependente de aparelhos para respirar e para se alimentar. Discordei de todos os prognósticos negativos e entrei num universo diferente, coisa de pai doido que quer o filho bem de qualquer forma.

Em oito dias, o Feu saiu do coma. Ao total, ele ficou 90 dias internado, 45 na UTI e 45 na enfermaria. Eu e a minha ex-esposa nos revezávamos e não o deixávamos sozinho em nenhum momento. Desde o acidente, vivo pela reabilitação do meu filho. Hoje o Feu está com 15 anos. Além das terapias, procuro oferecer uma vida dentro do normal com momentos de lazer. Eu o levo ao shopping, ao parque, a eventos. Diante de uma situação como essa que ocorreu com o meu filho, o melhor a se fazer é encontrar uma solução. Culpar alguém, se vingar, querer fazer justiça ou algo do tipo não trará resultados.

No final de 2020, vou lançar o livro "Eu sempre acreditei em você", onde conto a trajetória do Feu desde o acidente até a recuperação. No livro, eu deixo a pergunta: 'Você estaria disposto a lutar incansavelmente para salvar a vida do filho condenado pela medicina?'. Estou disposto, e com crença e persistência, acredito na reversão da lesão cerebral do Feu"

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