'Não acredite em quem não acredita em você', diz jovem com paralisia ao se formar em letras

Só matérias boas 11/01/2021 Relatar Quero comentar

 

Aos 6 anos, Andresa Jerônimo, de Orlândia (SP), ouviu que nunca aprenderia a ler e a escrever. Incentivada pelos pais, no entanto, estudante enfrentou os desafios e provou o contrário.

Andresa Jerônimo lembra como se fosse ontem do dia em que aprendeu a ler. Por ter nascido com paralisia cerebral e ser cadeirante, os professores da instituição que frequentava, exclusiva para crianças com deficiência, diziam que ela nunca aprenderia a ler ou a escrever. A jovem provou o contrário e, aos 24 anos, formou-se em letras.

Andresa, que vive em Orlândia (SP), diz que, não fosse a insistência da mãe, Maria Veríssima, ela provavelmente não teria sequer ingressado no ensino regular. A dona de casa não aceitava o que diziam os professores e ensinou Andresa a ler por conta própria, com o material escolar do filho mais velho.

“Com 6 anos, uma psicóloga me disse que ela não aprenderia nada. Eu discordei, mas ela insistiu nisso, então eu mesma ensinei. Ela aprendeu super rápido, começou a ler gibi e se apaixonou pelas letras”, diz Maria.

A persistência de Maria e a força de vontade de Andressa a levaram até o ensino superior, cursado à distância em uma faculdade de Franca (SP). Em dezembro, a jovem concluiu o curso e fez uma sessão de fotos com a família para celebrar a conquista.

A jornada até a formatura foi repleta de dificuldades e superações. Para conseguir matriculá-la no ensino regular, Maria precisou recorrer às secretarias municipal e estadual de Educação. À época, ela diz, ninguém se preocupava com acessibilidade.

“Ninguém acreditava que ela fosse conseguir. Falavam que ela sabia ler, mas não entendia o que lia, até que uma professora ficou admirada com o texto que ela escrevia e elogiou. Foi aí que percebi que ela gostava muito de português”, relembra.

Andresa gostava de assistir à mãe ajudando o irmão com as tarefas da escola. Ficou animada quando descobriu que teria a possibilidade de aprender sobre os mesmos assuntos e, de quebra, aprimorar as habilidades com a escrita e a leitura, que já faziam parte de sua rotina com gibis.

No primeiro dia de aula, no entanto, foi recepcionada pelas adversidades de ser cadeirante em uma escola que sequer tinha rampas para que ela subisse às salas de aula do andar superior e onde os alunos a enxergavam com diferença. À época, Andresa tinha 8 anos.

As escolas foram para Andresa uma montanha-russa de altos e baixos. Após concluir o 5º ano, ela se mudou para outra escola, onde os alunos eram mais receptivos, apesar de a instituição também não ter acessibilidade. Já no ensino médio, viu-se novamente diante do preconceito.

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