Dando o último adeus ao filho, que foi assassinado no Carrefour, pai conta seu desejo

N. Ferreira***** 21/11/2020 Relatar Quero comentar

Com uma bandeira do São José, seu clube do coração, estendida sobre o caixão, Freitas foi velado desde as 8h. O sepultamento ocorreu perto das 11h30min, no mesmo complexo fúnebre. 

O clima no local era de incredulidade com o crime. Não houve, contudo, gritos ou demonstrações externas de ódio aos homens que atacaram a vítima no supermercado Carrefour.
A brutalidade a que o pai foi vítima encontra explicação em um único sentimento para a filha de João Alberto Freitas: falta de compaixão. 
Thaís Alexia Amaral Freitas, 22 anos, demonstrou revolta com o caso. Entre momentos de tristeza, quis falar. E se dirigiu aos autores do assassinato: 
— Eles (seguranças) são uns animais, uns lixos, não tem amor no coração. O que fizeram com ele não se faz com ninguém, mesmo que esteja errado — disse.
Além de Thaís, Beto, como era conhecido na Zona Norte,  deixou ainda outras duas filhas e um filho, de relacionamentos anteriores. Com a atual companheira, 
Milena Borges Alves, 43 anos, planejava um casamento no civil, que deveria acontecer até o fim do ano. Abatida, a viúva passou a manhã calada. Com aceno de cabeça e duas palavras, disse ter descansado  “um pouco” após uma madrugada em claro, após o crime no hipermercado. 
Na cerimônia, familiares se uniram ao redor do pastor da igreja frequentada por Beto. A leitura de um trecho da Bíblia Sagrada foi acompanhada de um discurso do pai. 
O transportador aposentado João Batista Rodrigues Freitas, refletiu sobre as manifestações que tomaram conta do país na sexta-feira (20), dia seguinte ao assassinato.
—  Eu não queria que fosse com o filho de ninguém, queria que esse movimento saísse das salas escolares, sem agredir ninguém. Tem que acontecer um movimento desse aí. Agora no ponto que chegamos, eu acho louvável. A vida do meu filho não vai voltar mesmo, alguma coisa há de servir para os outros. 
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