Com paralisação de motoristas, BRT no Rio não circula; cidade entra em estágio de atenção

Matérias Top 01/02/2021 Relatar Quero comentar

Uma paralisação de motoristas interrompe, desde o fim da madrugada desta segunda-feira (1º), os serviços do BRT do Rio. Praticamente todas as estações dos três corredores nem sequer abriram.

Nos pontos atendidos pelos coletivos articulados do BRT, depois de filas enormes, ônibus regulares saem superlotados — com muita gente sem máscara. Guardas municipais tentam em vão organizar o embarque.

Também é grande a procura por vans e por viagens de aplicativo. Outra opção é pegar ônibus executivos,  a R$ 17 — quatro vezes mais a tarifa básica do BRT, que é de  R$ 4,05.

Em função dos impactos na mobilidade, o Centro de Operações Rio informou que a cidade entrou às 6h30 em estágio de atenção — o terceiro em uma escala de cinco níveis, com riscos de ocorrências de alto impacto em diferentes regiões.

"Faço um apelo aos motoristas do BRT para que retornem ao trabalho e não prejudiquem a população. Sabemos que o sistema passa por um momento difícil, mas estamos trabalhando firme para reequilibrar a situação. São anos de abandono e queremos olhar para a frente, encontrando soluções", disse.

Paulo Valente, porta-voz do RioÔnibus — o sindicato das empresas de ônibus do Rio —, afirmou ao Bom Dia Rio que não há dinheiro sequer para o combustível.

"Posso comparar com Manaus, por exemplo. Todo mundo sabia o que acontece lá. O governo federal sabia que iria faltar oxigênio, o estado sabia que iria faltar oxigênio. A prefeitura também sabia, e ninguém tomou providências. No caso do município aqui, é a mesma coisa: a gente já vinha na UTI. As empresas vinham como se estivessem na UTI. Agora acabou o oxigênio", afirmou.

O sistema Bus Rapid Transit (BRT) do Rio é composto por três corredores com vias exclusivas para ônibus articulados. Em estações semelhantes às de metrô, passageiros pagam a tarifa de R$ 4,05 antes de embarcar.

Desde antes da pandemia, as empresas que operam o sistema reclamavam de desequilíbrio financeiro, com um elevado calote de usuários. O consórcio afirma que o cenário foi agravado com a suspensão de atividades na quarentena e a queda no volume de passageiros.

A despeito disso, no último sábado (30), o prefeito do Rio, Eduardo Paes (DEM), afirmou nas redes sociais que o BRT tinha condições de oferecer um melhor serviço à população  para conseguir ajuda.

Paes apresentou gráficos com os  dados de GPS (posicionamento por satélite) dos ônibus e veículos articulados BRTs que permitem o acompanhamento online da frota. Segundo ele, nos dias úteis de janeiro houve queda contínua da quantidade de ônibus em circulação na cidade.

Ainda segundo Paes, os dados foram apresentados à concessionária BRT Rio, que alegou alta ocorrência de ônibus quebrados e incapacidade financeira de fazer a manutenção da frota.

A Guarda Municipal colocou em prática às 4h um plano de contingência com 102 agentes, 17 carros e nove motos, atuando em dez estações do BRT, nos corredores Transcarioca e Transoeste, devido à paralisação.

A ação preventiva visava a evitar a depredação do patrimônio público e monitorar a circulação de passageiros nas estações.

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