Gêmeas siamesas que nasceram com válvula do coração interligada aguardam cirurgia de separação

Carlosandre1055 21/11/2020 Relatar Quero comentar

Desacreditados por vários médicos de Rondônia, Vanderson Maia e Jaqueline Camare aguardam para o próximo mês a cirurgia de separação de suas filhas recém-nascidas e gêmeas siamesas. Elas são ligadas pelo tórax, cada uma tem seu coração, mas compartilham uma válvula do órgão. Juntas, Eloá e Sara nasceram com 4,2 kg.

Hoje a família mora em São Paulo, acolhidos por conterrâneos. O procedimento cirúrgico será feito pelo Incor, do Hospital das Clínicas. A história deles, e das crianças, começaram há um ano.

Nossa reportagem  conversou com Vanderson, servidor público da prefeitura de Alvorado do Oeste (RO), sobre a saga que foi para conseguir atendimento em São Paulo. Tudo começou com várias tentativas de gravidez. "Já temos o Victor, de 9 anos, mas programamos ter outro. Ela ficou grávida, mas teve aborto espontâneo", conta.

O pai das gêmeas relata que após um ano do aborto, sua esposa ficou grávida. A confirmação chegou quando foram a uma cidade vizinha, apesar de dois exames de sangue terem resultado negativo.

"Falei que não iria entrar porque sabia que estava grávida, mas a moça me chamou e já pensei, meu Deus, o que é agora? Falaram que era para sentar e, então, me contaram que eram gêmeas". A sensação, segundo Vanderson, foi incrível e veio com uma brincadeira de seu filho mais velho. "É porque eu assustei a mãe, aí virou dois", brincou Victor.

As gêmeas siamesas Eloá e Sara nasceram com 4,2 kg; os pais, Vanderson Maia e Jaqueline Camare aguardam a cirurgia de separação Imagem: Arquivo Pessoal
Nos meses seguintes, o casal foi à vários médicos da região para realizar exames de ultrassom e fazer todo o acompanhamento de pré-natal. Mas nas consultas, os retornos dos profissionais de saúde não eram animadores. O primeiro disse que eram siameses, mas que uma era menor, a metade do tamanho, que era só um coração para as duas. Fatos que fariam a gestação não vingar.

"Ninguém esperava aquela resposta. Não sei como cheguei em casa dirigindo, chorei muito no banheiro naquela noite e rezando para que Deus me desse força", conta Vanderson.

De acordo com ele, um outro médico disse ainda que não sabia como a criança menor estava viva. "Ele disse que tinha muito líquido na nuca, que seria por síndrome de Down, e que ao olhar o ultrassom não dava para ver todos os membros, que as crianças não teriam os membros superiores", conta.

A médica seguinte, após um mês da consulta anterior, foi quem descobriu que se tratava de duas meninas, com todos os membros. "A gente fez vários exames, eletro e ressonância magnética, por exemplo. Deu para ver que eram perfeitas, mesmo tamanho e peso", relembra.

O nascimento e acompanhamento médico

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