Estado Islâmico avança na Síria com decapitações, bombas, sequestros e ataques noturnos

Só matérias boas 08/02/2021 Relatar Quero comentar

'À noite, a área em que vivo está quase sob o controle dos integrantes do Estado Islâmico. Eles se movem atacando casas e ameaçando pessoas. É assustador', diz moradora da região de Deir al-Zour.

O pesquisador sírio Ali* (o nome dele e da organização na qual atuam foram modificá-los por questões de segurança) tem compilado dados sobre os ataques, e identificou suas diversas formas.

Ali afirma que os civis ficam mais vulneráveis depois que o Sol se põe, momento em que combatentes do Estado Islâmico atuam naquele que está se tornando rapidamente um vácuo de segurança.

“À noite, eles estão com medo e acabam nas mãos de combatentes do EI. Eles costumavam ir às autoridades em busca de proteção, mas ninguém reage. Eles sempre ouvem que não há armas suficientes para combatê-los, então eles evacuam. Após o pôr do sol, todos os soldados ligados às SDF [Forças Democráticas da Síria] deixam a cidade."

Amira* (também um nome fictício) tem parentes na SDF, uma força liderada pelos curdos que liderou a luta contra o Estado Islâmico na região com o apoio de uma coalizão liderada pelos EUA, expulsando-a do território que os jihadistas haviam capturado e controlado.

“À noite, a área em que vivo está quase sob o controle dos integrantes do Estado Islâmico. Eles se movem atacando casas e ameaçando pessoas. É assustador, já que as SDF quase não têm controle sobre a cidade à noite. Mas isso acontece também durante o dia. Não há dia que passe sem que uma ou duas pessoas sejam mortas."

Amira diz que estão sob maior risco aqueles que se supõe ter ligações com o governo central de Damasco, controlado pelo regime de Bashar al-Assad, ou com as SDF.

Os primeiros são frequentemente orientados pelos membros do Estado Islâmico a abandonar seus empregos ou enfrentar as consequências. Aqueles que os jihadistas acreditam ter conexões com as SDF são frequentemente mortos sem aviso prévio.

Lojistas e outros empresários também estão sendo visados, geralmente por meio de mensagens de texto ou telefonemas ameaçadores. Eles são instruídos a pagar grandes quantias, às vezes até US$ 5.000 (quase R$ 27 mil), ou ver membros da família sendo mortos ou sequestrados.

Alguns criminosos locais estão agora aproveitando esse clima de medo fingindo pertencer ao Estado Islâmico e exigindo dinheiro usando ameaças semelhantes.

Amira diz que, como as forças de segurança locais não conseguem impedir isso, algumas pessoas recorreram à ajuda dos próprios jihadistas.

"Recentemente, três homens estavam ameaçando as pessoas, dizendo que eram do Estado Islâmico. Mas, em vez de pagar, as pessoas perguntaram aos jihadistas se eles eram realmente membros deles. O Estado Islâmico disse que não eram e matou os três."

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