Como foi a prisão de Fernandinho Beira-Mar numa selva da Colômbia, há 20 anos

Leo Dias - Fofocalizando 22/04/2021 Relatar Quero comentar

O general colombiano Enrique Mora Rangel foi claro quando disse que prenderia o traficante mais procurado do Brasil, "vivo ou morto", em menos de 72 horas. No dia seguinte, cumpriu a sua promessa. Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, foi capturado após uma caçada que envolveu mais de 350 militares na selva, em uma área das Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (Farc) cheia de plantações de cocaína e laboratórios de refino. Desarmado, de braço engessado e exausto, o criminoso de então 33 anos não ofereceu resistência.

Ernaldo Uê: 

Na crônica policial do Rio, "matuto" é a palavra usada para definir um grande traficante que envia armas e drogas para os "varejistas". Quando foi preso, no dia 21 de abril de 2001, há 20 anos, Beira-Mar era o maior matuto do estado fluminense e um dos principais líderes do Comando Vermelho (CV). Foragido no Brasil desde 1997, quando escapou de uma cadeia em Belo Horizonte, ele estava na Colômbia havia cerca de um ano, firmando parcerias com a frente das Farc liderada por Tomás Molina, conhecido como Negro Acácio. Segundo as investigações, o brasileiro trocava armas por cocaína. A droga, então, era enviada ao Estado do Rio. 

Falange Vermelha

O exército do país hispânico havia começado sua busca por Beira-Mar em fevereiro de 2001. Naquele mês, a "Operação Gato Negro" prendera a mulher do traficante brasileiro, Jaqueline Alcântara de Morais, e outros 15 suspeitos numa área perto de onde operam os membros da Farc, na Colômbia. Ela tinha consigo uma foto do bandido onde se lia "brasileño da Costa". De acordo com as autoridades, o retrato era uma espécie de passaporte para Jaqueline entrar e sair do território das forças paramilitares sem ser incomodada.

O traficante Beira-Mar chega a Brasília após prisão na Colômbia Um dia após o outro, o cerco ia se fechando sobre Beira-Mar. No dia 19 de abril, o monomotor em que ele viajava foi interceptado pela Força Aérea da Colômbia. Era sexta de manhã quando os aviadores ordenaram que o Cessna 206 de prefixo HK-2459P pousasse na base de Marandúa. O piloto, porém, aterrissou num descampado a 56 milhas dali, em Vichada, região que faz fronteira com o Brasil. Logo que a aeronave tocou no chão, seus quatro passageiros, entre eles Beira-Mar, fugiram para a mata. Era uma questão de tempo até a captura do bandido.

O piloto Andrés Benavides foi detido e confessou o lugar onde deixara o criminoso. Foi quando teve início a caçada final, com mais de 350 soldados fazendo um pente-fino numa área de 4km de diâmetro na selva de Guaínia. De acordo com o general Mora, a aproximação começou às 19h de sábado, quando as tropas chegaram de helicópteros no local onde Beira-Mar tentava se esconder. Sem comida, desarmado e despreparado para aquela situação, o bandido poderia ter morrido na selva colombiana, se não fosse preso.

- Estava vivendo minha vida. Não tenho vínculos com as Farc. A imprensa fala o que quer. Escreve o que quer para vender jornal. Eu crio gado e tenho imóveis, só isso - disse Beira-Mar a repórteres após a prisão, segundo o jornal "Extra".

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