Médico é apedrejado por familiares de vítima de covid-19 na Argentina: 'Cansei de ter que escolher a quem dar um leito'

Amélia 26/09/2020 03:47 Relatar

O médico Daniel Gatica chegou ao seu limite e decidiu que deixaria a linha de frente contra a pandemia de covid-19 na Argentina após ser apedrejado por parentes de um paciente que morreu por causa da doença. Ele explicou decisão de pedir demissão em uma carta publicada no Facebook em 13 de setembro: "Hoje digo basta, hoje sinto que fracassei".

Gatica contou que havia enfrentado "12 dias de puro estresse, apenas dando más notícias". "Estou cansado de ter três mortes em uma tarde ou cinco em uma noite e saber que nunca há um leito na UTI", escreveu. "Quantas vezes eu dormi de pé ainda usando o EPI (equipamento de proteção individual) depois de atender 32, 40 ou 64 pacientes."

Gatica disse que, no hospital de Orán, cidade no interior da Argentina onde ele mora e trabalha, o oxigênio era um "luxo" há mais de um mês e que estava "cansado de ter que escolher para quem dar um leito ou um tubo de oxigênio semivazio". "Tudo para quê? Receber isso... um ataque físico", afirmou, referindo-se às pessoas que lançaram pedras contra ele ao saber da morte de um ente querido. 

"Não aguento mais."

Cidades do interior estão sobrecarregadas

A publicação do médico chamou a atenção do país para a dramática situação no hospital San Vicente de Paul, que não só atende os 85 mil habitantes de Orán, mas dezenas de milhares de pessoas que moram nas cidades vizinhas.

A falta de leitos, medicamentos, oxigênio e profissionais de saúde fez com que o índice de mortalidade ali chegasse a 10% dos pacientes infectados, enquanto nacionalmente a taxa é de 2,1%. Orán é a segunda cidade mais populosa da província de Salta, ao norte do país, na fronteira com a Bolívia.

Assim como outras cidades do interior, ela ficou sobrecarregada quando o novo coronavírus começou a se espalhar fora de Buenos Aires. A capital argentina chegou a concentrar mais de 90% dos casos e, agora, está perto de 50%.

Apesar de a Argentina ter sido um dos países que melhor conteve a expansão do coronavírus, graças a uma quarentena rígida que foi imposta assim que a pandemia chegou em março, a situação mudou drasticamente em poucas semanas.

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