"Diferença de opinião não pode significar fratura mas sim debate interno"

José 26/05/2021 Relatar Quero comentar

Inês Sousa Real, atual líder da bancada parlamentar do PAN, será eleita a nova porta-voz do partido, no próximo Congresso Nacional do PAN, que decorrerá de 5 a 6 de julho deste ano, em Tomar. 

Em entrevista ao Notícias ao Minuto, a futura sucessora de André Silva garantiu que a sua liderança não irá traduzir-se numa fratura com a direção anterior, mas prometeu um "aprofundamento" e "uma diferença de estilo" da visão que tem sido traçada, na última década, para o partido. 

Aos 40 anos, a jurista, que deu os primeiros passos no PAN enquanto ativista, deixou claro que o partido não cabe na dicotomia esquerda-direita, 'descolando-se' da esquerda e de aproximações ao Governo. Apelando à união, Inês Sousa Real sublinhou que há espaço no partido para divergências, mas não para crises, fechando, assim, as portas aos que saíram e a um passado que não se deverá repetir.  

Para o Governo, fica a promessa de uma postura mais exigente e agressiva da parte do PAN nas negociações do Orçamento do Estado para 2022 (OE2022) e, para o país, a liderança de uma mulher que tudo fará pela defesa do ambiente, do bem-estar animal e da proteção dos direitos humanos, já de olho no arco governativo.

Acima de tudo, gosto de fazer e fazer acontecer e, por isso, não podia virar costas agora 

Era um objetivo/sonho seu ser líder do PAN? 

Não. Confesso que, mesmo quando era criança ou jovem, nunca me imaginei num partido político, muito menos como dirigente do PAN. Comecei a colaborar de forma voluntária com o partido nos grupos de trabalho que surgiram e que pretendiam defender os direitos dos animais e o meio ambiente, antes do partido estar oficializado. Depois, inscrevi-me como filiada, mas o meu espírito foi sempre um de missão e de estar disponível sempre que o partido precisou de mim para coadjuvar naquilo que foram os diferentes desafios que enfrentou. Nunca imaginei ou perspetivei que um dia viria a ser candidata a porta-voz do partido.

No entanto, tendo em conta que sempre me dediquei às causas públicas não podia virar as costas a este desafio, considerando que o PAN nunca teve uma líder mulher, que estamos num momento de profunda renovação e de viragem no partido após alguma crise interna, mas também numa altura em que o próprio país tem de responder a uma crise socioeconómica sem precedentes e a uma crise ambiental que não desapareceu. Acima de tudo, gosto de fazer e fazer acontecer e, por isso, não podia virar costas agora.

Já não é a primeira vez que fala da importância de uma liderança no feminino no partido. Que diferenças acredita que irá trazer à direção do PAN por ser mulher? 

Independentemente do género, o importante é termos um coletivo de pessoas fortemente empenhadas com o ideário do PAN. Este aspeto tem de estar presente na liderança sejamos nós mulheres ou homens. Mas, considero que na liderança feminina há caraterísticas que efetivamente podem beneficiar não só os países, como também os diferentes coletivos, incluindo um político, como podemos verificar no caso da Nova Zelândia.

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